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10.08.2010

21ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo

Durante dez dias, São Paulo será transformada na capital das letras. De sexta (13) ao dia 22, o Pavilhão de Exposições do Anhembi recebe a 21ª Bienal Internacional do Livro. Orçada em 30 milhões de reais, a festa contará com números superlativos: o espaço de 60 000 metros quadrados — o equivalente a sete campos de futebol — será ocupado por 350 expositores. Cerca de 2,2 milhões de exemplares ficarão disponíveis ao público.

Além disso, há um calendário recheado de palestras, debates e atrações para jovens e crianças. Participam das mesas de debates 200 convidados, em um total de 1 100 horas de programação. Nada mau para um evento que começou, em 1951, como uma pequena feira na Praça da República e só em 1970 passou a ser chamado de internacional. “Trata-se de uma celebração da cultura”, afirma Eduardo Mendes, diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Uma das intenções dos organizadores neste ano é manter as características tradicionais da Bienal, como a força mercadológica (serão mais de 4 000 lançamentos) e a capacidade de atrair o leitor não especializado. Quatro temas concentram a programação: Monteiro Lobato, Clarice Lispector, lusofonia e livro digital. Para traçar reflexões sobre eles, a CBL montou um conselho de curadores formado por Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo; Augusto Massi, diretor da Cosac Naify e professor de literatura brasileira da USP; e Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial.

Esse trio, por sua vez, convidou curadores específicos para cada um dos espaços. O novelista Walcyr Carrasco, cronista de VEJA SÃO PAULO, por exemplo, ficou responsável pelo Palco Literário. Nele, personalidades do teatro e da TV farão leituras e interpretações de obras que marcaram sua vida. Depois, haverá debates com os visitantes. Constam na seleção nomes como Regina Duarte, Paulo Goulart, Sérgio Marone e Nívea Stelmann. “O grande público vai atrás das estrelas das novelas e é exposto à leitura”, explica Carrasco. “Passa então a entender aquilo como um prazer, algo agradável.”

Cozinhando com Palavras, sob o comando do jornalista André Boccato, é outra atração. O palco recebe cozinheiros e críticos para abordar temas gastronômicos em debates e workshops. “Comida servida em aviões” é a palestra do chef argentino Chakall, o cozinheiro português Vitor Sobral traz “À mesa com Eça de Queiroz”, e o editor de gastronomia de VEJA SÃO PAULO, Arnaldo Lorençato, conversa sobre o ofício da crítica com outros quatro convidados.

O palco Salão de Idéias, organizado pelos jornalistas Manuel da Costa Pinto e Alexandre Agabiti Fernandez, concentra-se de modo mais efetivo na literatura. Logo na abertura, numa sexta-feira 13 de agosto, o cineasta José Mojica Marins fala de seu personagem Zé do Caixão. O restante do dia será dedicado a temas vampirescos, inclusive com a participação do canadense Dacre Stoker, sobrinho-bisneto de Bram Stoker, criador do Drácula.

Leitores poderão conferir outras atrações internacionais, a exemplo do norueguês Jostein Gaarder, do filosófico ‘O Mundo de Sofia’, e do irlandês John Boyne, de ‘O Menino do Pijama Listrado’. Autor da biografia ‘Clarice’, o americano Benjamin Moser encontra- se com a atriz Beth Goulart, que acaba de interpretar Clarice Lispector nos palcos. “Clarice foi vista muitas vezes como escritora de elite, mas a popularidade recente demonstra seu apelo para o grande público”, diz Moser. Entre os outros destaques do Salão de Ideias, vale ressaltar a iraniana Azar Nafisi, o bate-papo lusófono entre o moçambicano Mia Couto e o angolano José Eduardo Agualusa e a apresentação do inédito ‘1822’, do jornalista Laurentino Gomes, espécie de continuação do best-seller ‘1808’.

Fábulas com a Turma da Mônica, espaço inspirado no universo do quadrinista Mauricio de Sousa, e ‘O Livro É uma Viagem’, instalação que permite um passeio dentro de um livro enorme, com direito a atores fantasiados de personagens, são os principais chamativos para a criançada. O palco Território Livre tenta ajudar os jovens a escolher uma futura carreira a partir de debates com profissionais de jornalismo, humor e moda, entre outras áreas. A Bienal ainda aponta para o futuro ao emprestar para manuseio cinquenta e-readers e, dessa forma, expor o livro digital aos leitores.

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