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	<title>InfoJovem &#187; vício</title>
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		<title>Velhos vícios, novos jovens</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 01:49:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os jovens não abriram mão de vícios antigos como o álcool e as drogas, mas incorporaram outros à sua vida como dependência da tecnologia e a vigorexia]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_12413" style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://infojovem.org.br/2011/11/09/velhos-vicios-novos-jovens/ilustracao-mariana-coan/" rel="attachment wp-att-12413"><img class="size-medium wp-image-12413" title="Ilustração Mariana Coan" src="http://infojovem.org.br/wp-content/uploads/2011/11/Ilustração-Mariana-Coan-246x300.jpg" alt="" width="246" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração Mariana Coan</p></div>
<p><em>Os jovens não abriram mão de vícios antigos como o álcool e as drogas, mas incorporaram outros à sua vida como dependência da tecnologia e a vigorexia</em></p>
<p>O que é demais vira veneno. Assim é com o vício. Tudo bem jogar na internet e dar uma checada no Facebook todo dia. Tudo bem comprar uma sandália por mês, ou passar algumas horas bronzeando- se (com protetor, claro). Tudo bem adorar malhar ou, de vez em quando, cair de boca em uma caixa de bombons. O problema é quando isso sai do controle e passa a ocupar parte significativa da vida ou do pensamento das pessoas. Se certos hábitos acabam se transformando em vícios para os adultos, é um problema maior ainda para os jovens.</p>
<p>&#8220;Na adolescência a pessoa precisa lidar com muitas mudanças físicas e psicológicas, tornando-se mais suscetível a comportamentos do grupo ao qual pertence. Além disso, os vícios podem servir como alívio, ilusório, para seus questionamentos e dúvidas típicos da idade&#8221;, diz a psiquiatra Jocelyne Levy Rosenberg, autora do livro Lindos de morrer (Editora Celebris), que fala do vício do culto ao corpo.</p>
<p>Os vícios sempre fizeram parte da história da humanidade. Há relatos bíblicos sobre embriaguez até na Arca de Noé. Mas nada se compara à oferta que há hoje e que está à disposição de quem quiser e &#8211; principalmente &#8211; de quem tem predisposição a sucumbir seja às substâncias químicas, seja a novos hábitos. &#8220;A busca pelo prazer se disseminou. Não se trata mais apenas do consumo de substâncias químicas, mas também de inúmeros comportamentos, como a compulsão pelo uso da internet ou compras&#8221;, diz a psiquiatra Analice Gigliotti, do setor de dependência química da Santa Casa do Rio de Janeiro (RJ).</p>
<p>Além do exagero, o vício é marcado exatamente por essa busca do prazer imediato, característica que talvez os jovens carreguem de sua infância. É difícil convencer uma criança a poupar se ela tem o dinheiro na mão para comprar o que quer naquele momento. Da mesma forma o jovem que se vicia em algo quer, em um primeiro momento, obter a sensação boa que aquilo propicia, que pode ser uma &#8220;viagem&#8221;, relaxamento, ou até ser aceito dentro de um modelo.</p>
<p>Um levantamento realizado pela agência Namosca (SP), que busca entender o que se passa na cabeça dos jovens, identificou mais ou menos isso: eles estão mais preocupados com o prazer do que com o compromisso. Foram ouvidos estudantes de 15 universidades e apenas 16,1% deles disseram discordar totalmente da frase &#8220;baladas em jogos me motivam mais do que as aulas&#8221;. Mais de 50% admitiu fumar maconha.</p>
<p>Seja o vício provocado pelo uso de substâncias químicas ou por algum tipo de comportamento, o que acontece com o cérebro é bastante parecido. &#8220;Tudo leva a um aumento direto ou indireto dos níveis de dopamina, o principal neurotransmissor liberado pelo sistema de recompensa. Esse sistema é ativado pelo sexo, alimentação e pelas drogas de abuso&#8221;, explica o psiquiatra Arthur Guerra, do Centro de Informação sobre Saúde e Álcool (SP). &#8220;Note que a quantidade de dopamina liberada pelo uso de drogas de abuso é maior que a liberada pelos compensadores naturais, como sexo e comida. A menos que eles também saiam do controle&#8221;, completa o especialista.</p>
<p>Os vícios antigos persistem. Mas a eles os jovens somaram outros: a compulsão por comprar, por alimentos, ou a necessidade doentia de cultuar o corpo. A vida hoje está mais perigosa para quem está brigando para entrar no mundo adulto. Entendamos quais são os principais vícios &#8211; novos ou antigos &#8211; que atingem a juventude.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Loucos por internet </strong></span></p>
<p>Uma pesquisa realizada em 11 países por uma empresa de tecnologia revela que um em cada três universitários considera a internet um recurso essencial como a água, o alimento e a moradia. A convicção dos estudantes e jovens brasileiros sobre a questão está bem acima da média mundial, passando dos 66%. Para 40% dos jovens, sair com os amigos ou ouvir música é menos importante do que ficar conectado. No Brasil, o número dos que pensam assim ficou em 72%. &#8220;Talvez a internet seja o vício mais genuinamente jovem, pois a primeira geração de nativos digitais está chegando à adolescência&#8221;, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (AMITI-FMUSP).</p>
<p>Segundo Nabuco, para quem faz uso abusivo da tecnologia, há dois caminhos: o uso atinge um pico depois de um ano e começa a regredir, ou a pessoa torna-se viciada. O vício pela tecnologia é mais difícil de controlar porque ela está por toda parte. E mais: é socialmente aceita. &#8220;Um paciente de 13 anos, viciado em internet, ganhou da mãe um iPhone. Argumentei que isso era errado. Ela respondeu: &#8216;uma coisa é totalmente diferente da outra&#8217;. E é claro que não é.&#8221;</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Atividade física sem parar</strong></span></p>
<p>Esse vício tem um nome ainda desconhecido das pessoas: vigorexia. Apesar disso, seus males estão disseminados. Uma pesquisa feita pelo Centro de Estudos em Psicobiologia do Exercício, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que 28% dos atletas brasileiros são viciados em atividade física. Isso leva à depressão, à ansiedade e às crises de abstinência. A vigorexia não escolhe idade, mas afeta intensamente os jovens, cuja personalidade está em formação e precisa se espelhar em um modelo.</p>
<p>&#8220;O vigoréxico é uma pessoa perfeccionista ao extremo, mas com baixa autoestima. Isso gera uma distorção da imagem corporal. Um comentário negativo sobre a aparência ou uma rejeição pode desencadear o problema&#8221;, diz a psiquiatra Jocelyne. É difícil traçar o limite entre a prática saudável e o vício. Mas ele se confirma quando o jovem passa a deixar de fazer outras atividades para malhar. É grande a lista de vícios relacionados à imagem. Uma pesquisa publicada nos Arquivos de Dermatologia, dos Estados Unidos (EUA), sugere que 53% daquelas pessoas que frequentam praia e piscina ficam dependentes da pele bronzeada.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Bebida como amiga </strong></span></p>
<p>Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Estudante, realizada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde com 63 mil jovens de todo o país, sete em cada dez adolescentes entre 13 e 15 anos já consumiram álcool. O primeiro contato foi entre 12 e 14 anos. &#8220;Isso é um sério problema.</p>
<p>Na adolescência, o sistema nervoso central ainda encontra-se em desenvolvimento e, portanto, mais suscetível aos efeitos nocivos do álcool&#8221;, explica o psiquiatra Arthur Guerra. O limite entre o uso recreativo e o vício não está muito estabelecido. &#8220;Não é possível diagnosticá-lo apenas utilizando parâmetros como quantidade e frequência do consumo de bebidas alcoólicas. O diagnóstico é realizado a partir de critérios preestabelecidos, que levam fatores como mudança da rotina, mal desempenho acadêmico ou profissional e problemas com as relações pessoais&#8221;, completa o especialista.</p>
<p align="center"><strong><span style="color: #000000;">Os vícios antigos persistem. Mas a eles os jovens somaram outros: a compulsão por comprar, por alimentos, ou a necessidade doentia de cultuar o corpo</span></strong></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Alimentos, mas não muito </strong></span></p>
<p>Alimento é uma fonte de saúde. Para a maior parte das pessoas, também de prazer. Mas, para uma parcela dessas, vira um vício. A taxa de obesidade entre jovens vem crescendo a uma média de 0,5% ao ano. Não significa que todo mundo que engorda está viciado. O vício aparece quando a pessoa deixa de comer para suprir as necessidades do corpo, ou mesmo por prazer, e passa a ter um comportamento compulsivo. É o chamado transtorno de exagero alimentar. Os estudos comprovam que o consumo de alimentos aciona o mesmo mecanismo que causa o vício. Pesquisadores da Universidade de Yale (EUA) observaram o cérebro processando a informação sobre alimentos por meio de ressonância magnética. Ao receberem a oferta de um chocolate quente ou milkshake,&#8221;acendiam-se&#8221; no cérebro de voluntários as regiões chamadas córtex singular e orbitofrontal, as mesmas afetadas por outros tipos de vícios. Da mesma forma que os jovens tentam emagrecer para tornarem-se parte do grupo, o oposto pode ocorrer.</p>
<p>Um estudo publicado na revista científica Economics and Human Biology analisou o comportamento de 5 mil adolescentes e constatou que os jovens aderem aos maus hábitos dos amigos que estão acima do peso. No outro extremo do transtorno de exagero alimentar estão a bulimia e a anorexia. &#8220;A exemplo do vigoréxico, a pessoa com bulimia ou anorexia sente a exagerada necessidade de ter uma boa aparência, o que pode ser o gatilho para o problema&#8221;, explica Jocelyne.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Vivo para comprar </strong></span></p>
<p>Hoje o mundo se oferece para quem tem dinheiro. Adquirie-se praticamente tudo, até sem sair da frente do computador. Alguns não resistem a essas ofertas e sucumbem ao excesso na hora das compras. Esse hábito compulsivo leva o nome de oxiomania. O vício não escolhe idade, mas certamente afeta os jovens com intensidade e está associado à vaidade, à necessidade de ter o tênis da moda, três vestidos iguais, um de cada cor para exibir para as amigas.</p>
<p>Um estudo feito por pesquisadores da Ching Yu University (China) concluiu que boa parte das compras compulsivas se dá pela necessidade de ter os mesmos bens dos companheiros. Diz o estudo: &#8220;A aparência física pode ser importante para a maior parte dos estudantes da universidade porque eles se comparam uns aos outros. Um bom vestido pode ajudar a fazer amigos&#8221;.</p>
<p><strong>Veja onde você pode procurar ajuda</strong></p>
<p>Conheça algumas instituições que auxiliam pessoas com diferentes vícios.<br />
<strong>Ambulim </strong>- Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares Hospital das Clínicas Tel.             (11) 3069 6975<br />
<strong>Proata </strong>- Programa de Orientação e Assistência a Pacientes com Transtornos Alimentares Tel:            (11) 5579 1543<br />
<strong>Centros de Atenção Psicossocial do Álcool e Drogas</strong> &#8211; os endereços em todo o país podem ser obtidos por meio do site do Ministério da Saúde no endereço <a href="http://www.ccs.saude.gov.br/saudemental/index.php" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">www.ccs.saude.gov.br/saudemental/index.php</span></a><br />
<strong>GREA </strong>- Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Droga Tel. (11) 2661 6960<br />
<strong>PrevFumo</strong> Tel. (11) 5904 8045<br />
<strong>Devedores Anônimos</strong> (DA) e-mail: <a href="mailto:contato@devedoresanonimos-sp.com.br" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">contato@devedoresanonimos-sp.com.br</span></a></p>
<p>Fonte: <a title="Revista Viva Saúde" href="http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/103/artigo240713-2.asp" target="_blank">Revista Viva Saúde</a></p>
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