As consequências do machismo para… os homens!

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As consequências do machismo para… os homens!

Fonte: Extra

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/artistas-se-unem-em-campanha-para-alertar-sobre-as-consequencias-do-machismo-para-os-homens-12958263.html#ixzz36n1MNlpI

Foto: Divulgação - Igor Rikli e a mulher, Aline Wirley, posaram para a campanha

Foto: Divulgação – Igor Rikli e a mulher, Aline Wirley, posaram para a campanha

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Uma das citações mais lembradas da filósofa Simone de Beauvoir, uma das maiores pensadoras do século XX e um dos principais nomes do feminismo até hoje, diz respeito à construção do que chamamos “feminilidade”. Da mesma maneira, também é no meio social que a masculinidade é forjada. Expressões como “homens não choram” ou “isso é coisa de mulherzinha” dão o tom na formação de meninos em muitas famílias.

Para refletir sobre o que representa o “ser” homem, o coletivo mo[vi]mento-MG/RJ uniu-se ao lendário grupo de teatro alternativo “The Living Theatre”, de Nova York, para criar a campanha “Homens libertem-se”. Longe de querer impor novas regras de comportamento ao sexo masculino, o manifesto do grupo chama atenção, justamente, por propor maior respeito pelas diferenças e um debate sobre como, no final das contas, o machismo prejudica e oprime também os homens.

– O universo masculino é muito restrito. A mulher já está questionando esses papeis restritivos há mais tempo. O homem não se organiza para discutir sua masculinidade, para tematizar suas questões. Temos todos esses grupos chamados de ‘minorias’ que já estão se organizando e esse homem continua se pautando nessa sociedade. São eles que sofrem mais com a violência, são os que mais são assassinados, os que mais cometem suicídios, os que trabalham mais. Por que ainda chamamos isso de poder? – questiona Maíra Lana, atriz, diretora e idealizadora do projeto.

A ideia da “Homens Libertem-se” brotou quando Maíra estava em Ouro Preto, Minas Gerais, e viu a reação das pessoas quando um rapaz apareceu na Praça Tiradentes com uma saia florida. Foi o desconforto das pessoas com a impossibilidade de enquadrá-lo em alguma classificação (gay? drag queen? travesti?) que fez com que a diretora voltasse o olhar para os sentimentos masculinos.

– Ele foi passando e os homens não sabiam o que fazer. Todos ficaram desconsertados com aquela presença. Foi quase como se ele estivesse ferindo uma entidade. Nitidamente, era um clima muito opressor, embora ele não tenha sido agredido. Mais que para o rapaz de saia, era uma opressão que os próprios homens se impunham – conta Maíra.

 

Na internet, campanha divide opiniões

O vídeo postado no canal do YouTube da campanha já foi visto mais de 12 mil vezes desde o começo do mês, mas a ideia da “Homens libertem-se” dividiu opiniões.

Fonte: YouTube/ Maíra Lana Souza

 

Confira o “Manifesto Homem Libertem-se”:

– Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.

– Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.

– Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.

– Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.

– Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.

– Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.

– Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.

– Posso recusar me embebedar e me drogar.

– Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.

– Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.

– Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.

– Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.

– Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.

– Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.

– Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.

– Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.

– Eu sei que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não porque está me convidando para nada.

– Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.

– Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.

– Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.

– Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.

– Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.

– Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.

– Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.

– Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.

– Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.

– Quero ser mais que um homem, quero ser humano!

– O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!