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Ricardo Almeida: Conexões entre juventude, voluntariado e democracia participativa

Ricardo Carvalho de Almeida

             

A juventude sempre esteve presente nas principais transformações que ocorreram na sociedade. Apresentou-se, na resistência ao período militar por suas liberdades cerceadas e entre os gritos por eleições diretas que permitiram a redemocratização na década de 1980, motivos distintos, mas motrizes da participação voluntária em contextos de apogeu e queda das imperativas ideologias disponíveis, que movimentaram as paixões, relações de sentido e o comportamento social dos jovens naqueles períodos. 

Ao tempo em que o jovem se torna livre para escolher em que, como e por que vias se engajar, a sociedade sofreu transformações como o predomínio do neoliberalismo configurando a concepção política, econômica e cultural do país, que por sua vez, provocaram a redução orçamentaria do Estado à assistência social, o que fortaleceu o  surgimento de um novo voluntariado como forma de participação, predominantemente juvenil, que veio preencher as lacunas deixadas e contribuir com as necessidades dos excluídos do sistema, de maneira individual, autônoma e independente. 

A nova juventude voluntária que emergiu, contribuiu  por moldar a orientação de indivíduos e instituições em intervenções numa determinada realidade social forçando um processo de adaptação da sociedade, isso possibilitou uma nova ordem legal marcada pela instituição da Lei nº 9.608 de 18 de fevereiro de 1998, ainda recente, que veio regulamentar o trabalho civil voluntário e, com a reorganização do sistema de maneira mais interativa pela corresponsabilidade de atores como Estado, iniciativa privada e terceiro setor. Esta juventude integra a sociedade civil, que por sua vez é constituída por indivíduos que trazem consigo a síntese de suas relações comunitárias e culturais, indissociáveis de suas relações com o mercado e o Estado, com o consumo e o desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação.

O jovem ao voluntariar-se no atual contexto passa a identificar motrizes de participação diferentes dos modelos paternalista, de resistência e libertação anteriores, o novo modelo de participação voluntária permite ao  jovem  promover sua participação de maneira espontânea, presencial ou virtual, com a finalidade do bem comum, um voluntariado em movimento com características comunitárias, protagônicas, autônomas e independentes, com adesão e evasão de indivíduos atreladas em princípios de prazer, identificação, identidade, alcance de trabalho e relações sociais, altruísmo e alteridade. 

Nestes novos espaços de participação permitidos pelas mudanças nos contextos social, político, econômico, tecnológico e institucional, vivenciadas neste curto período de maturidade democrática no país, as atividades voluntárias são desenvolvidas de acordo com a disponibilidade, interesse e competências dos indivíduos que se voluntariam, permitem ao jovem engajado exercer o papel de construtor de capital social, cidadania e de referência ética ao comportamento coletivo. Assim, o jovem também contribui e influi na expansão e reconfiguração dos ambientes e espaços democráticos instituídos e constantemente questionados.

 * Ricardo Almeida é publicitário, professor, pesquisador e extensionista pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul; Mestre em Comunicação, processos comunicacionais: inovação e comunidades; Fundador e atualmente Diretor Administrativo Financeiro da ONG Opção Brasil, representante da Red Opción Latinoamérica.

 ** As opiniões apresentadas nesse artigo são de responsabilidade do seu autor.